quinta-feira, 14 de maio de 2009

Contribuições para o Conselho Geral da FMJD
Comissão de RI da UJC
Coordenação Nacional da UJC


A conjuntura mundial

A atual crise econômica do capitalismo, que vem se desenhando desde os anos 90, tem caráter sistêmico e estrutural. É uma crise de super-acumulação e de realização de mercadorias.

Um dos principais fatores responsáveis por esta crise é a tendência dos grandes grupos econômicos em investir em papéis, para compensar a tendência de queda nas taxas de lucro, criando assim as chamadas "bolhas" financeiras.

É, sem dúvida, uma crise profunda, que se estende por todo o mundo, dado o elevado grau de internacionalização do capitalismo. Já há uma forte recessão na economia mundial, que pode arrastar-se por muitos anos, já tendo produzido efeitos devastadores em diversos países.

Esta crise mostra claramente a fragilidade e a decadência do sistema capitalista, pondo por terra seus pressupostos econômicos e ideológicos. Muitas empresas já promoveram um elevado número de demissões e outras, inclusive, já fecharam suas portas. No entanto, não se pode afirmar que se trate da crise final do capitalismo: antes da sua ruína final, este sistema tentará buscar alternativas. Além do mais, o capitalismo não cairá de podre. Terá que ser enfrentado e superado.

O desenrolar da crise dependerá da sua condução política, mas, sobretudo da correlação de forças no conflito entre o capital e o trabalho, em âmbito mundial, e que tende a se acirrar.

Assim, cabe às forças revolucionárias lutar para que as classes trabalhadoras assumam, organizadamente, o protagonismo do processo de luta, garantindo soluções que, ao mesmo tempo que combatam os efeitos imediatos da crise, criem as condições para que se acumule - na contestação da ordem burguesa, na defesa de seus direitos e na obtenção de novas conquistas, na organização e na consciência dos trabalhadores - a força necessária para assumir a direção política da sociedade no caminho da superação revolucionária do capitalismo. Mais do que nunca, está na ordem do dia a questão do socialismo.

Fundamentalmente, a crise é resultante do acirramento das contradições do capitalismo, agravadas ainda mais pelas políticas neoliberais que prevaleceram, na maior parte do mundo, nos últimos 20 anos.

O capitalismo ainda pode buscar fôlego para se recuperar, mesmo em meio às suas contradições estruturais, como a tendência à concentração e à centralização do capital em grandes conglomerados mundiais, à financeirização e ao encolhimento relativo dos mercados consumidores.

Mas esta tentativa de recuperação certamente deverá agravar as contradições e a luta de classes, na medida em que o capital terá que recorrer ao aumento da expropriação de mais-valia dos trabalhadores, da repressão e criminalização dos movimentos sociais e da agressividade das guerras imperialistas.

A burguesia toma iniciativas para defender seus interesses, utilizando-se dos aparelhos de Estado. Os governos de muitos países com peso na economia mundial, inclusive do Brasil, têm anunciado medidas de intervenção dos Estados para salvar empresas industriais e bancos à beira da insolvência e para incentivar o consumo. Obama e Sarkozy falam até em uma reestruturação, um “Capitalismo do Século XXI”, tentando separar o capitalismo “bom” do “ruim”. Vários países vêm anunciando, também, medidas de natureza protecionista, visando garantir o nível de produção, manter e aumentar o nível de emprego interno, potencializando conflitos de interesses inter-burgueses.

A adoção destas medidas põe por terra a onda neoliberal que prevaleceu no mundo nas últimas décadas. Sabemos, entretanto, à luz de Marx, que todas estas medidas são limitadas, voltadas para a defesa dos interesses do capital e não terão condições de retomar um alto padrão de acumulação.

A correlação de forças

A crise estrutural do capital, fruto das suas próprias contradições e cujas conseqüências são imensuráveis, reflete na superestrutura da sociedade um processo dramático com relação as possibilidades de superação do sistema capitalista e da construção do socialismo no mundo.

O que se desenha no cenário político internacional são modelos que entram em disputa com relação às perspectivas de superação da crise. Podemos elencar ao menos três grandes projetos que se confrontam no atual cenário mundial.

O primeiro deles, pode ser definido como um modelo conservador, levado a cabo pelos setores políticos vinculados a direita e a extrema direita, sustentadas pelas frações da burguesia mais afetadas pela crise, no caso dos paises subdesenvolvidos, esse papel vem sendo cumprindo, entre outros, pelos setores vinculados ao agro-negócio, que em casos específicos, como no Brasil, na Bolívia e no Paraguai, vem financiando e organizando ações de repressão aos movimentos sociais, como o caso do aumento crescente da repressão e criminalização sofrido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra no Brasil, e no caso da organização de grupos terroristas, na Bolívia, visando o magnicídio, contra o Presidente Evo Morales. Um dos países que mais vem sendo afetado no continente latino-americano, por políticas fascistas que procuram a resolução da crise do capital é a Colômbia, que através da presidência do narco-fascista Uribe, vem reprimindo sistematicamente os movimentos sociais, estudantis e de trabalhadores naquele país.

Estes setores parecem não ter, nesse momento, em um contexto mais geral, condições de hegemonizar os rumos a serem tomados na gestão da crise pelo capital. Mas a conjuntura pode se alterar conforme a luta de classes se agudizar mundialmente.

Um segundo modelo que disputa, dentro de uma concepção burguesa, as saídas possíveis para a crise é o que prega a conciliação de classes e a socialização da crise como saída para resolver os problemas enfrentados pelo capital. Neste caso, os governos de recorte social-democrata vêm cumprindo exemplarmente as demandas do sistema por sua recomposição, realizando uma transferência criminosa de recursos públicos para salvar os grandes conglomerados transnacionais da “quebradeira”. E fazem isso, vendendo um discurso de necessidade de criação de um “pacto” entre as classes para que a crise seja superada e o capitalismo retorne a sua normalidade. Porém, é importante termos clareza que não existe conciliação quando se trata de luta de classes.

Estes setores em suas atuações nos movimentos sindicais, estudantis e populares, jogam com uma política de conciliação de classes para enfraquecer qualquer movimento radicalizado que aponte para uma ruptura com a lógica do sistema capitalista.

Alguns governos, principalmente em nosso continente, vêm se notabilizando por levar adiante esta política nefasta que só atrasos trazem as condições de vida e as lutas dos trabalhadores. Podemos citar como exemplo, na América Latina, os governos de Lula no Brasil, Vasquez no Uruguai, Bachelet no Chile, Kirchner na Argentina e Garcia no Peru, como referências do modelo de conciliação com o capital no cenário político latino-americano.
A referência que se contrapõe as duas lógicas anteriores é a que busca superar a crise capitalista, procurando uma nova perspectiva de desenvolvimento econômico, político e social na organização de um novo futuro para os povos. A preponderância do público contra o privado; o combate direto contra o Imperialismo; a solidariedade com outros povos em luta; o aprofundamento da democracia popular; podem ser consideradas algumas características que unificam estes processos que procuram construir uma contra-hegemonia no cenário internacional.

Paises como a Venezuela; a Bolívia, o Equador e a Nicarágua exemplificam no cenário latino-americano a luta pela construção de um modelo alternativo de superação da crise em favor da classe trabalhadora e da maioria da população.

Entendemos, também, que estes processos, com todos seus avanços, não são hegemônicos nem na América Latina nem no mundo. Mas que os mesmos podem avançar, inclusive na construção do socialismo, única alternativa real de superação a crise capitalista, conforme a correlação da luta de classes em cada cenário especifico pender para a classe trabalhadora, o que será obviamente fruto da organização e da luta dos próprios trabalhadores.

Neste cenário complexo e imprevisível, temos de apontar que a referência de todos aqueles que almejam um mundo novo segue sendo Cuba Socialista, que resistindo bravamente a décadas de bloqueio econômico, imposto criminosamente pelo Império, constrói na prática uma sociedade cada vez mais justa, mais humana, sem explorações, a sociedade socialista.

O exemplo cubano demonstra como a radicalidade revolucionária e aversão à conciliação com os interesses do capital são os caminhos que devem ser trilhados pelos povos no sentido de superação da sociedade capitalista.

A alternativa que se demonstra neste tempo de crise estrutural e irremediável do capital é a radicalidade revolucionária, que aponte para o fim da exploração e da opressão burguesa, para o enfrentamento direto com o Imperialismo; para o aprofundamento da solidariedade entre os povos; e a internacionalização da luta, no caminho da construção do Socialismo.

Neste sentido a Federação Mundial das Juventudes Democráticas deve cumprir um papel preponderante na organização das lutas das juventudes progressistas de todo o mundo, apontando para a luta contra o Imperialismo, a guerra, e o Capital, pela solidariedade, pela paz e pelo Socialismo.

Bandeiras de Luta:

Contra a ocupação imperialista no Iraque e no Afeganistão;

Pela retirada das bases militares imperialistas espalhadas pelo mundo, em especial a de Guantanamo;

Contra a repressão e a criminalização dos movimentos e organizações de juventudes progressistas;

Contra as Políticas de socorro ao Capital através de dinheiro público por parte dos Estados;

Contra a ocupação militar Israelense na Palestina. Pela Autodeterminação e Soberania do Povo Palestino;

Contra a política de extermino Imperialista das populações pobres no continente Africano;

Contra o empréstimo ou subsidio pelos Governos de qualquer valor aos organismos financeiros internacionais;

Contra a ocupação militar no Haiti;

Em favor da soberania energética dos povos, em defesa da estatização de todos os recursos naturais;

Solidariedade aos povos e juventudes em luta contra o Imperialismo e o Capital em todo o mundo;

Solidariedade com a Revolução Socialista Cubana, contra o nefasto bloqueio imperialista;

Pela libertação imediata dos 5 heróis cubanos;

Apoio e fomento a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA);

Solidariedade a todas as formas de luta contra o governo Narco-Fascista de Álvaro Uribe na Colômbia;

Nenhum direito a menos; avançar em novas conquistas para os trabalhadores e a juventude em todo o mundo.

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