Estados Unidos: o Plano Colômbia e a água
por Joaquín Rivery Tur
http://www.granma.cu/portugues/2009/septiembre/mier3/Guarani.html
por Joaquín Rivery Tur
http://www.granma.cu/portugues/2009/septiembre/mier3/Guarani.html
A natureza ajusta contas com os Estados Unidos. A depredação selvagem do meio ambiente cobra suas quitações e não em dólares, mas em condições de subsistência.
É difícil saber quais dos grandes rios e lagos do território norte-americano não estão fortemente contaminados. Na Europa são raras as fontes limpas. É preciso embrenhar-se no mato para encontrar cursos de águas puras, e a água faz falta para beber, para a agricultura, para a indústria.
A América Latina experimenta também neste respeito a ameaça do império, pois chega a outra etapa do Plano Colômbia, fato denunciado pelo presidente Hugo Chávez, para quem a estratégia do Pentágono e suas sete novas bases militares sob a aprovação de Bogotá tem alvos precisos: primeiro, a reserva da faixa petroleira do Orenoco; segundo, a Amazônia; e terceiro, o Aquífero Guarani, um dos maiores depósitos de água subterrânea. A base de Palanquero — que parece será a maior — assegura o raio de ação das forças ianques sobre toda a América do Sul; é um verdadeiro risco.
O Aquífero Guarani é um sistema de águas subterrâneas certamente fabuloso, e os Estados Unidos há muito que estão interessados nele.
As pesquisas são dirigidas nada menos que pelo Banco Mundial e o propósito não é abastecer de água os milhões de sul-americanos que carecem dela, mas privatizar o líquido.
Há seis anos, foi assinado um convênio para os estudos sobre o Sistema Aquífero Guarani com dinheiro dos Estados Unidos (via Banco Mundial) e algo da Alemanha e da Holanda. Cheirava a podre desde o início.
O presidente do Banco Mundial, na época Paul Wolfowicz, chegou a expressar que os fundos de sua instituição seriam absolutamente destinados ao setor privado para o desenvolvimento da bacia subterrânea.
A funcionária da ONG canadense Water for All, Sara Grusky, declarou recentemente que os organismos internacionais, como o Banco Mundial, visam criar na zona do Guarani uma região industrial sem lhes importar preservar o aquífero nem os interesses reais dos habitantes, aumentando com isso os riscos da privatização.
Ainda mais alarmante é que já foram feitas concessões parciais ou totais às companhias multinacionais estadunidenses Monsanto Wells e Bechtel Co., às francesas Suez/divisão Ondeo e Vivendi, às espanholas Aguas de Valencia e Unión Fenosa Acex, à inglesa Thames Water, e outras.
Desta maneira, vai ficando ainda mais claro um dos objetivos da expansão militarista norte-americana na Colômbia, com projeção continental.
Um repórter se perguntava se os norte-americanos podiam atacar a América do Sul pela água e não está longe o dia em que a sobrevivência de muitas nações, sobretudo ricas, seja medida pelo líquido que possam conquistar e que a elas falta.
O Sistema Aquífero Guarani, que compartilham o Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, tem no subsolo nada menos que 50 bilhões de quilômetros cúbicos de água e uma extensão de quase dois milhões de quilômetros quadrados, com uma capacidade de produção de 40 a 80 quilômetros diários (um quilômetro = um trilhão de litros).
Se as multinacionais se apoderassem dessa riqueza, poderiam industrializar o engarrafamento da água potável, boa, limpa, para exportar ao norte, e esa é a razão pela qual os países desenvolvidos buscam que os países envolvidos tenham legislações que permitam a privatização.
O plano está em andamento com a ofensiva das nações ricas e as pressões para concretizar uma das maiores atrocidades do neoliberalismo: converter a água em mercadoria.
Da superfície que ocupa o Sistema Aquífero Guarani (maior que a França, Espanha e Portugal juntos), 70% é do Brasil, 19% da Argentina; 6% do Paraguai e 5% do Uruguai. Até hoje, de qualquer maneira, ignoram-se os limites reais e a bacia poderia ser o maior depósito mundial de água doce.
"O problema não está em que as reservas de água sejam cada vez menores, mas em que sua localização e qualidade estão mudando", segundo o especialista mexicano Gian Carlo Delgado, autor do livro Água e segurança nacional (Mondadori). Na opinião de Delgado, ao que parece, as zonas de alta biodiversidade como a que alberga o Aquífero Guarani, verão incrementar ou pelo menos conservar os índices de precipitação e, portanto, essas zonas "se consideram como estratégicas em nível local, regional e mundial".
Num relatório dos ex-assessores de Reagan e Bush pai, havia outro ponto muito relacionado com as ambições norte-americanas, o qual explica por que é prioritário que os países do Sistema Guarani promulguem legislações que o protejam como patrimônio dessas nações. O documento afirmava que os EUA deviam garantir "que os recursos naturais do hemisfério estejam disponíveis para responder a nossas prioridades nacionais".
Em pouco tempo, esa pretensão se torna realidade e cobiça das multinacionais, além dos requerimentos do império que está perdendo água, sendo uma sustentação sólida às projeções do presidente Chávez por seus temores de que a proliferação de bases norte-americanas na Colômbia tenha por objetivo a conquista dos recursos naturais da América do Sul, onde o Sistema Aquífero Guarani tem tanta importância pela água subterrânea, pela superficial (entre os rios Paraguai, Paraná e Uruguai) e pela sua biodiversidade.
A proteção desta incalculável fonte de água limpa se torna, então, prioridade para os governos empenhados verdadeiramente na defesa dos interesses nacionais e continentais, porque no Norte o abutre faminto, puxado pelo um aquecimento climático que ele mesmo impõe, enxerga como ave sarcófaga. As bases na Colômbia são os ninhos destas aves de rapina.
0 comentários:
Postar um comentário